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Blog EntryVelhos, Velharias e Velharadas.Jan 22, '08 6:56 PM
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Bom, esse texto aqui já faz um bom tempo que escrevi, acho q mais de um ano, mas não encontrei nada melhor para "reinaugurar" o blog então aí vai:

 

Cedo ou tarde você se depara com uma triste situação, a velhice se aproxima, e quando você se depara com esta situação aos 19 anos, é quase deprimente, só não o é completamente, por que acaba se tornando cômico. A cada minuto que passa tenha certeza de uma coisa, é um minuto a menos de vida, e só pensando em como escrever as primeiras frases de um texto como esse já se vão cerca de 5 minutos, que não voltam mais e isso já lhe deixa 5 minutos mais próximo do fim, aliás, agora já são 6.

Primeiro você percebe que sua mente anda um pouco confusa, todo mundo esquece de alguma coisa, mas um brasileiro esquecer que uma segunda-feira é um feriado, é um mau sinal, dois dias depois conversando com um amigo, você solta uma das maiores pérolas de sua vida: “roupa e comida lava”, afinal o que seria comida lavada? Já havia ouvido relatos de pessoas que deixaram o churrasquinho do fim de semana cair no carvão, e por isso o lavaram, mas nunca imaginei que isso se tornaria um hábito.

Mas a prova mais evidente de que seu fim está próximo é quando seus cabelos começam a perder a luta contra a gravidade, e ameaçam deixar sua cabeça e buscar outras moradas. Por que logo os cabelos? temos pelos em tantas partes do corpo e justamente os cabelos é que me abandonam, por que não os pelos das axilas? Não fariam muita falta, ou então os pelos do nariz, eu não me incomodaria em perde-los, mas não! É necessário que todos vejam, - olha como ele está velho, - está ficando careca, e isso é apenas o começo, por que em no máximo 10 anos você já terá ganhado apelidos como, aeroporto de mosquito, e calota de fusca. E muitos virão com receitas e mais receitas que não adiantam nada, mas mesmo assim as pessoas ficarão insultadas se você não tentar, e se você tentar também por que não vão adiantar nada. Você vai colocar de gema de ovo à nata do leite em sua cabeça, tentará milhares de chás, e vai descobrir que o único chá que lhe ajuda é o chapéu.

          Mas a melhor parte de perceber que se está ficando velho, com apenas 19 anos, é que você percebe que é muito jovem, e por isso está extrapolando, a história toda ultrapassa os limites do exagero, e no fim das contas, você ainda tem muito pela frente, deixa essa coisa toda de velhice para depois. Resolve fazer com a velhice o mesmo que faz com a arrumação da sua escrivaninha, deixe para amanhã o que poderia fazer hoje.

Marcos Wiese 


Blog EntryBeabá aonde isso vai “pará”?Jul 9, '07 7:48 PM
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Bom... como costumo publicar as poesias no www.sociedadedospoetasloucos.blogspot.com (pro favor visitem hauehuae)... Resolvi utilizar o blog do algumacoisa.multiply.com para publicar contos, cronicas, e outras tentativas minhas de escrita rsrsrs...

 

Beabá aonde isso vai “pará”?

 

Lembro me das minhas primeiras palavras e minhas primeiras frases, e acredite se quiser eu era incapaz de aprender a diferença entre V e F, e B e P. N e M então me causavam problemas gigantescos, afinal do que adianta dizer que M vem antes de B e P quando não se sabe se a palavra é escrita com B ou com P?

Freqüentemente surgiam frases extremamente criativas, como a Faca dá leite. Fantástico não é?ou seria vantástico? Eu ainda não sei bem, digo pem, bor que este broplema ainda me bersegue. Não eu não sou árabe e nem pretendo me tornar. Afinal de contas tirando esses pequenos erros, eu sabia escrever. Com tantos analfabetos no mundo, um alfabetizado confuso deveria valer alguma coisa.

Mas eu disfarçava meus problemas através da minha incrível caligrafia, minha letra era tão horrorosa que os erros gramaticais passavam desapercebidos, afinal, como você vai afirmar que uma palavra está errada se você nem sequer consegue lê-la? Eu era no mínimo experto. Isso sem contar às inúmeras vezes em que na duvida, escrevi um N com duas pernas e meia, poderia tanto ser um M quanto um N, era um bom disfarce, não me recordo se funcionava, mas convenhamos, a idéia em si era boa.

A Matemática já era mais generosa, eram apenas 10 algarismos, e eram simples, o 1 por exemplo, dois risquinhos e pronto, depois chegava o 2, que insistiam que se parecia com um pato, acho que levei mais tempo para ver a semelhança do 2 com um pato do que da Itália com uma bota, mas voltemos aos números, quando eu cheguei no 5, já começava a colocar todo o meu instinto genial para fora, muitas pessoas deixavam o risco horizontal do alto do 5 por último, oras, isso é perda de tempo, passei a fazer o cinco de uma vez só, sem tirar o lápis do papel, e foi uma grande revolução, pois de lá pra cá, já perdi a conta de quantas pessoas fazem o 5 exatamente da maneira que idealizei, não era essencial fazer o risquinho horizontal por ultimo afinal. Tinha também o 8, podiam ser duas bolas de futebol, duas rosquinhas, parecia ser o número mais divertido, mas alguém tinha alguma coisa contra a nossa diversão, e nos ensinou a forma clássica de fazer o 8, até admito ser mais rápida e prática, mas acabou com meu fascínio pelo 8, que passou a ser nada mais que um 8, um mísero e simples 8.

É incrível olhar para tanto tempo atrás, ver como as coisas mudam, a nossa maneira de escrever, de viver de bensar, é pensando bem algumas coisas nunca mudam.

Marcos Wiese


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